Aprender a aprender num mundo em que a inteligência é “artificial”

ACADÉMICO

Ana Carvalho - FDUNL

4/16/20263 min read

person holding ballpoint pen writing on notebook
person holding ballpoint pen writing on notebook

Num mundo dominado pela Inteligência Artificial, é cada vez mais difícil encontrar um estudante realmente preocupado com a compreensão e retenção de informação e, consequentemente, pouco se fala de métodos de estudo.

Como aluna do 1º ano do curso de Direito, tenho vindo a experimentar diferentes abordagens ao meu estudo que me ajudam diariamente na faculdade (e que o fizeram até no secundário).

O problema do estudo passivo

Em primeiro lugar, algo que posso garantir é que aqueles que apenas fazem um estudo passivo, não obterão os melhores resultados possíveis (e isto aplica-se tanto em ciências exatas como humanas). Ou seja, não basta ler, reler apontamentos e sublinhar tudo sem critério. É necessário forçar o cérebro a processar a informação, não só a conhecê-la. E como fazemos isto?

Técnica de Feynman

Ora, existem vários métodos de estudo ativo que possivelmente te ajudarão a melhorar a produtividade. Um deles é a técnica de Feynman. Esta consiste na explicação de conceitos complexos em linguagem simples (como que para uma criança), obrigando a sua compreensão profunda. Algo que me ajuda é fazê-lo em voz alta, fingindo que dou uma aula. Enquanto dou a minha “aula” procuro identificar partes da matéria onde travo, para perceber sobre que conceitos devo incidir mais durante no estudo.

Blurting

De seguida, outro dos meus métodos utilizados denomina-se blurting. Este trabalha especialmente o active recall (ou recuperação ativa), que é a chave para um estudo produtivo. Depois de estudar um tema, escrevo tudo o que me lembro numa folha branca, sem consultar apontamentos, e no final, comparo com os apontamentos originais e identifico falhas. Assim, simulo o esforço mental necessário num exame, enquanto consigo avaliar, de forma imediata, o que foi realmente assimilado durante o estudo.

Flashcards

Em terceiro lugar, o método que mais uso é, sem dúvida, Flashcards. Estes podem ser feitos em papel, mas pessoalmente prefiro usar plataformas como Quizlet ou Anki. Com base em apontamentos, escrevo cartões com uma pergunta e a respetiva resposta e revejo-os frequentemente, especialmente enquanto realizo tarefas do quotidiano.

Gestão de Tempo - Pomodoro

Para gerir o meu tempo uso a técnica Pomodoro, baseada na alternância entre períodos de concentração e pausas regulares, assim maximizando o foco e a produtividade. A estrutura mais comum é de vinte-cinco minutos de foco e um descanso de cinco. No entanto, ao apenas ter vinte-cinco minutos para avançar numa tarefa, dava por mim a apressar e desleixar-me, da forma que agora faço cinquenta minutos concentrada e dez de pausa, e penso que é uma adaptação mais acessível desta técnica.

Erros comuns

Mesmo que pareçam produtivos, há alguns hábitos que, na minha experiência, podem prejudicar a aprendizagem: reler apontamentos vezes sem conta vai criar a ilusão de que já sabes informação porque a reconheces; fazer all nighters antes de um exame vai, logicamente, sobrecarregar-te mentalmente e propiciar o esquecimento; estudar junto do telemóvel, embora possa não parecer, vai afetar a tua concentração e fazer com que te sintas “tentado” a ir ver notificações.

IA no estudo – Conclusão

Concluindo, a longo prazo, saber como estudar, como gerir o nosso tempo de estudo, e perceber as abordagens que permitem ao nosso cérebro realmente aprender, trar-nos-á benefícios muito maiores que por exemplo, abrir o ChatGPT durante um exame. Aprender a aprender afetará necessariamente a nossa autonomia, pensamento crítico e capacidade de análise, bem nos ajudará a lidar com o mundo real de forma confiante, onde nem sempre temos “respostas prontas”.

No entanto, embora a IA não substitua o estudo, pode ajudar-nos durante o mesmo: através da geração de pequenos podcasts que resumem a matéria, e que podemos ouvir nos transportes para a faculdade ou enquanto fazemos tarefas domésticas, por exemplo (algo que faço frequentemente utilizando o NotebookLM). Ou até na criação de flashcards e testes com base num documento com matéria ou um exame antigo. É importante não demonizar a Inteligência Artificial, mas ainda mais o é saber utilizá-la de forma inteligente.